Monday, November 14, 2011

Progresso ou Regresso...às origens?!?!

Sendo eu um tipo das TIC, e com os tic's de informático macho que acha que a tecnologia e os computadores são a base de solução para qualquer problema, tive hoje a clareza de espírito que se calhar nunca iremos encontrar o dito pote de ouro, ao final do arco-iris.

Passo a explanar o meu devaneio assertivo e talvez um pouco laxativo. Tenho por habito olhar para o que me rodeia com espirito critico, na esperança de ter uma solução para melhorar a minha condição humana (aumento de capital) e ao mesmo tempo, melhoria da condição humana, no geral (mais uma vez, e a minha em particular). Há pessoas que contam pedras da calçada, outras divertem-se a decorar matriculas de carros, a mim dá para parar uns segundos, olhar o funcionamento de algo, e tentar com algum afinco melhorar o processo, ora reinventado a roda, ou apenas mudando algum pormenor.

Escusado dizer que nenhuma ideia brilhante surgiu, basicamente, porque a meio da verborreia mental, encontro falhas para o meu plano, ou o tempo de andar com a cabeça na lua, esgotou-se, esboçando um sorriso do tipo "se me afincasse mais uns segundos, descobria a pólvora...", e com o lema em mente que "dinheiro não compra felicidade", viro costas e sigo a minha vidinha pacata.

São 4.20 da manhã e não sei porque estava a dormir (pensava eu) e esta ideia a formar na mente, de que por vezes tentamos informatizar tudo, na esperança de melhorar a nossa condição de vida, ao passar para as máquinas parte dos nossos deveres diários, que acabamos por esquecer a) que somos seres que necessitam de estímulos sensoriais, b) que perdemos capacidades cognitivas, ao ficar tão dependentes das máquinas, c) eu bem queria ter um C, mas estão a ver aqui a influencia da informática e a minha progressiva regressão cognitiva...lol

O que acontecia se por obra do espírito santo, o Google deixasse de funcionar? ou pior, se virasse produto comercial? que impacto isso teria nas nossas insignificantes vidas? eu falo por mim...seria como voltar a idade da pedra, ou quanto muito medieval, onde uma simples ida ao WC, significava desapertar os 300 parafusos da armadura, já para não falar do problema da oxidação (vulgo ferrugem) das partes...

Vejo a nossa sociedade em 2 ritmos de velocidade, a velocidade da sociedade da informação (SI) e a velocidade da sociedade para o conhecimento (SC). Por norma, vejo-me na SI, com todos as demais pessoas ativas, que não tem muito tempo para parar, mas tem de estar em constante alerta, pois o mundo gira depressa demais para desfrutar do que aprendemos,e tão depressa aprendemos, como temos de fazer um reset, para adaptar a ultima moda. Mas este jogo, jamais terá um fim...associo ao dito burro que anda sempre motivado pela ânsia de comer a cenoura que parece tão perto, mas ao mesmo tempo, nunca chega.

Temos por parte das grandes organizações de TI, essa reacção aos mercados, ao colocar cá para fora um rol de produtos, como é o caso dos produtos da Apple, que nem dá para sentir o sabor de ter um produto "ultimo grito" sem que passados apenas uns mesitos, apareça a versão 2,3,4,5...ou 4S. Aqui a Apple nos tramou bem...já íamos com o lanço para o iPhone 5, e eles num rasgo de marketing, lançam uma versão do mesmo...Bandidos!

Recordo-me com algum saudosismo, de no passado, de saber e discutir com os amigos sobre os processadores da moda, os ditos últimos gritos de tal forma como os nossos pais, deviam falar dos carros, ou contratações de futebol. Nos dias que correm eu perdi a noção da dita evolução dos processadores, assim como dos carros, e das contratações do futebol...nem quero entrar por ai!!!

Viramos uns nabos dentro da própria informação que defendemos desde o início que nos iria libertar da idade das trevas, ou seja, do conhecimento centralizado em bibliotecas, sermões do padre na paróquia local, ou da bruxa da aldeia.

Sabíamos muito pouco, mas éramos felizes, pois tínhamos o tempo para assimilar o que ouvimos. Lembro-me em menino de me terem ensinado a ver quando ia chover ou não, basicamente à noite olhava para o céu, e se visse as estrelas era porque no dia seguinte, muito provavelmente não ia chover. Na altura recordo-me como isso revolucionou o meu mundo...ter o poder de previsão da meteorologia! uaaaauuuuu....

O valor do equipamento, deixa de ter qualquer valor sentimental, pois com a rápida depreciação das suas qualidades, acaba por ser mais um rotulo em que apenas se sabe o nome da marca e do modelo....e do valor exorbitante.

Se calhar as Novas Oportunidades, e a tentativa forçada de "formar" pessoas, ao dar equivalência de escolaridade, com base na aprendizagem ao longo da vida, acaba por cair neste paradigma do conhecimento apressado, em que não importa muito o conteúdo, mas sim a vasilha!

Quero voltar a ter o tempo para poder desfrutar o que aprendi, ter a possibilidade de ter espírito critico sobre o mundo, ter a possibilidade de sentir que o conhecimento que possuo, perdura no tempo, e não vai ser motivo de gozo, passado uns meses...

É neste ponto que situamos as pessoas idosas, que por não poderem ter a agilidade física de outrora, ou a mesma capacidade lógica para a tecnologia, são colocadas para trás, onde esta sociedade nem sabe o que fazer com elas, nem como as revitalizar. É triste saber que sabemos que mais cedo ou mais tarde, todos nós vai acabar por chegar a esse ponto, mesmo agora sendo eu uma pessoa com afinidade com a tecnologia, mas penso que daqui à uns anos, vou estar desatualizado, com mais conhecimento de vida, mas que o mais certo é não ter ninguém para me ouvir.

A reflexão que deixo ficar no ar, é que apesar de os computadores serem máquinas fantásticas, facilitem a nossa vida em muita coisa, não passam de máquinas, feitas pelo homem, que em dada altura, parou e pensou como poderiam nos ajudar, a libertar o tempo, para o ser humano poder aprender, transformar os dados em informação, e mais tarde, associando ao contexto, converter em conhecimento.

Quem não se lembra de ouvir histórias a volta da fogueira, ou na tasca da zona, de pessoas sem quaisquer estudos, mas uma vida repleta de conhecimento, que nos intrigavam, faziam sonhar, que a vida apesar de agreste, tinha os seus momentos belos.

Vou começar a não comer cenouras...

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